Sim, sendo eu um dos autores do Manual do Xavequeiro, livro lançado pela Matrix Editora há pouco mais de um ano, achei coerente que minha primeira coluna no Canal Amor & Sexo tratasse deste tema tão ancestral. E o caso é que a mulherada vive reclamando, aos 97 ventos, que “falta homem no mercado”.
A maioria fala isso de boca cheia: “É amiga, tá faltando homem no mercado”. Legal. Aí, a mesma gatinha que disse isso vai, mais tarde, sozinha no mercado comprar o Sapólio que acabou. Sem querer, ela deixa o produto cair no chão. Mas um homem, atento e gentil, se antecipa e pega para ela que, educada, agradece. Ele então, encorajado e atraído, resolve puxar papo.
E o que faz nossa amiga? Responde atravessado, vira as costas e sai resmungando a si mesma. “Cara abusado, só porque foi gentil acha que pode puxar assunto, pensa que eu sou fácil, tá bom… sinto cheiro de um xaveco de looonge, pensando o quê, aqui não!, papinho besta, sô!, pra cima de moá?, nem a pau, Juvenal!”. No dia seguinte, na hora do almoço junto com as amigas, ela diz novamente sua frase preferida: “É amiga, tá faltando homem no mercado”.
Pelamordedeus! Não queria surtar logo na minha primeira coluna, mas assim não dá! “Bonitinha” – como diria o Ronivon – entenda que vai sempre faltar homem no mercado se você não se permitir! Mulheres reclamando a falta de machos, sem perceber que elas não dão, nunca, chance a nenhum deles, é um fato muito mais corriqueiro do que parece. Acontece no intervalo da 7ª série, no salão de cabeleireiro e no chá das cinco.
Tá bom, mas por que isso acontece? A grande “culpada” desta reação arisca da mulher diante da abordagem masculina é a idéia de que ela, a moça xavecada, está sendo “fácil demais”. Assim, na obstinada missão de não ser “fácil demais”, o que faz a mocinha? Dá sucessivas patadas e foras.
Só que, meu amor, a questão aqui não está em ser difícil ou “fácil demais”, mas em ser esperta ou boba! Onde você acha que vai chegar, se continuar distribuindo NÃO’s por aí, com a mesma tranqüilidade com que passa manteiga no pão toda manhã? A lugar algum, filha! Desculpe a franqueza, mas isso tem que ficar claro.
A mulher, toda e qualquer mulher – as novinhas, as mais maduras, as solteiras convictas, as casadas acomodadas, negras, loiras, magrinhas, gostosas, atiradas e comportadas, todas elas – tem que perder esse preconceito absurdo com o xaveco!
A princesa dorme carente, acorda sonhando, e a culpa é da vida. O culpado é o destino cruel, a novela, a chefe dela, o prefeito da cidade, a mãe (tadinha da mãe), a manicure ou o sol que não quis aparecer. Peralá!
No Manual do Xavequeiro martelamos a idéia, para os homens, de que eles têm que tentar! Melhor levar o fora do que dormir pensando… “e se eu tivesse…”. E pra você, mulher, vale a mesma orientação: permita-se mais!
O que será que o Sr. Sapólio queria? Lembra dele? Ele podia ser um cara legal, né? Podia ser um cara que ia levar nossa amiga para passear, que ia lhe entregar flores, lhe pedir em namoro, em casamento, lhe dar filhos, netos e um túmulo florido com jazigos contíguos, eternos e felizes! Ou não, podia só querer levá-la para a cama, mas… ela ao menos teria tentado – e talvez gozado (ui), leitora amiga!
Que tal sermos, todos nós, homens e mulheres, mais amigos do xaveco. Xaveco este que é, vejam, a base da humanidade! Você só está sentada lendo essas linhas porque seu pai xavecou sua mãe em algum lugar do passado, parceira! Brigue, sempre, por um xaveco original e verdadeiro da parte do cara. Ok. Mas nunca se feche para ele, porque o “não” que você diz não é só para o sujeito, mas para você também, gatinha. E tenho dito.
Dica do Rampa: O próximo xaveco que vier, faça um teste, dê trela e veja onde aquilo vai dar. Verá que o resultado pode ser bacana e bem diferente do que você imaginava. Se não for, ok, “mas eu me permiti!”.
Fabiano Rampazzo é jornalista, escritor e autor de Manual do Xavequeiro e Homem, Livro Aberto (Matrix Editora)
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