O lado bom de uma DR
Na teoria, os homens fogem dela e as mulheres forçam a barra para ter esse momento. O fato é que a “discussão de relação” – a famosa DR - aflige muitos casais por aí que a veem como momento de briga e desentendimentos.
Mas para a psicóloga e terapeuta de casais, Lucrecia Nizzo, explica que a DR é extremamente benéfica, já que é através dela que o casal pode expressar suas insatisfações, e também conhecer um pouco mais o parceiro(a). “Se você não tem espaço para falar de si, ou não deixa o outro expressar o que está incomodando, torna-se um relacionamento ‘a um’. E a mensagem que se passa com isso, é que os sentimentos daquela pessoa não são tão importantes assim”, explica ela.
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Passo 1
Saber os motivos – A primeira coisa é saber quais foram os motivos que levaram à crise. Segundo o terapeuta, não adianta tentar remediar o irremediável. ‘Existem crises reversíveis e irreversíveis. Para algumas pessoas, determinados fatos são imperdoáveis, independentemente de qualquer relacionamento’, assegura Bez, que classifica em três os motivos que podem ser determinantes para um rompimento: o envolvimento de um parceiro com drogas, a violência física e a traição. “A traição ainda é possível contornar de maneira positiva e construtiva para os dois. As pessoas que traem não necessariamente são pessoas que não prestam. Existem muitas causas”, ressalta
Passo 2
Conversar – Independentemente da gravidade da crise, a solução é sempre o diálogo. ‘Esse é o antibiótico. O problema é que existem muitas pessoas com dificuldade para falar de sentimentos. Se ela não consegue desfazer esses entraves, é como jogar a sujeira para debaixo do tapete’, compara a psicóloga Triana Portal. O tempo, segundo ela, pode amenizar as feridas e diminuir a intensidade dos sentimentos, mas não deixar cair no esquecimento. ‘As palavras, sim, curam’, garante. Assim como um bom remédio, o diálogo também é uma ótima prevenção. ‘Importante é dialogar de maneira profunda. Não só perguntar ‘Como foi o seu dia?’ e coisas amenas. É buscar encontrar a essência do seu parceiro através de uma conversa’, analisa Bez.
Passo 3
Pré disposição para reconstruir – Para recomeçar, ambos devem estar totalmente dispostos a fazer o relacionamento voltar a dar certo. A sintonia tem que ser a mesma para que ambos, juntos, consigam resgatar os bons tempos. ‘Exige mais maturidade, sinceridade e, principalmente, amor’, identifica a psicóloga. ‘Se não existir uma pré-disposição para melhorar, não adianta nem consultar um analista’, complementa o terapeuta. Segundo Triana Portal, a retomada deve ser baseada na força do sentimento. Contudo, esse processo leva tempo, dá trabalho e requer uma energia muito grande dos dois. ‘As cicatrizes ainda são recentes e estão lá. Não pode acontecer de, na primeira briga, trazerem os problemas do passado à tona’, afirma.
Passo 4
Humildade e altruísmo – Para conseguir ter essa pré-disposição, os especialistas recomendam fomentar os sentimentos de humildade e altruísmo em prol da relação. ‘Tem que ser humilde e reconhecer que a crise é de ordem bilateral. Portanto, é necessária uma reflexão individual para buscar identificar os próprios erros’, considera Bez. Sob pressão, a solução mais simples é resgatar as falhas do passado para justificar as atitudes de agora. Essa também é a opção mais errada na visão da psicóloga. ‘Tem que saber encarar algumas pequenas frustrações. Quem tiver a ilusão do amor perfeito no paraíso não vai conseguir superar a crise’, assegura. ‘Nunca se coloque no papel de vítima e continue um relacionamento sem confiança. Deposite amor e mais confiança do que havia antes. A pessoa tem que ter muito altruísmo’, diz.
Passo 5
Paciência e tolerância – A principal barreira é que, logo após a crise, o clima ainda fica pesado. Qualquer um sabe que aquela irritação está além de uma simples TPM ou da derrota do time de futebol. Um cumprimento de bom dia que não é correspondido, uma porta que é batida com mais força. Para isso, o santo remédio é a paciência. ‘Não pode ter preguiça de tolerar isso. É um investimento maduro, dia após dia, tijolo a tijolo, para reconstruir a relação’, aconselha.
Passo 6
Ocasiões especiais – Se dentro de casa o clima ainda não está bom, a saída pode estar fora dela. Procure mudar a rotina e recomeçar tudo do zero mesmo. Se não costumavam sair para dançar, saiam. Viajar ou receber amigos em casa também ajuda, segundo a psicóloga. ‘O relacionamento precisa de uma manutenção, assim como o nosso carro, a nossa casa, observa. ‘Não adianta chegar com flores e bombons que isso não cola mais. A pessoa pode até achar que você está tripudiando da inteligência e dos sentimentos dela’, adverte Bez.
Passo 7
Evitar reincidências – Por último, mas não menos importante, está a reincidência. Cada lado da relação tem que se esforçar ao máximo para evitar cometer os erros que originaram a crise. ‘Tem que saber utilizar os erros como aprendizado para não repeti-los. Repetir uma vez até que não tem problema, foi um deslize. Mas repetir pela décima vez vai provocar um desgaste irremediável’, diagnostica o terapeuta. O prêmio para todo o esforço é um relacionamento amadurecido, que pode se traduzir em anos de convivência pacífica e amorosa. ‘A tendência é que fique melhor do que era antes. As pessoas que conseguem passar bem pelos momentos difíceis acabam conseguindo viver juntos durante a vida inteira’, conclui a especialista.
E parece que existem pessoas por aí que conseguem ver esse lado bacana da discussão. “A vantagem de ter uma DR é que as coisas que não estão esclarecidas num relacionamento começam a aflorar”, declara o estudante de 25 anos Bernardo Bueno, que, apesar de ser solteiro, acredita que independente do assunto que levou o casal àquele momento, a DR pode ser legal para o relacionamento. Mas você não precisa ser uma total exceção à regra para conseguir levar uma DR numa boa, como Bernardo.
Para R.B.*, de 23 anos, discutir a relação não é sinônimo de um momento tão tranquilo, mas é necessário. “Como toda mulher, às vezes eu também tenho dúvidas sobre o meu relacionamento e uma boa DR ajuda a entender e tirar as ‘minhocas’ da minha cabeça. A vantagem, para mim, é eliminar qualquer mal entendido e enxergar se haverá um problema futuro no relacionamento”, explica a estudante. “Na minha opinião, se um homem não sabe lidar com uma DR, na verdade não é um homem e, sim, um menino”, diz ela, dando um recado para os homens que fogem da discussão por aí.
E, meninas, acalmem-se! Segundo a psicóloga, as mulheres são “bem mais cruéis” do que os homens nessas horas e, por isso, eles têm mais dificuldade em aceitar a DR. “Temos que tomar cuidado para não exagerar na dose, e não cobrir o outro de críticas, afinal, ninguém tem sangue de barata!”, diz.
Mas quem está ouvindo não deve se sentir ofendido com as reclamações do outro. “É preciso lembrar que, se estão tendo essa conversa, uma das partes não está feliz, e isso deve ser motivo suficiente para redobrar a paciência“, ensina ela, que ainda deixa uma dica fundamental para a “hora H”.
“Não diga o que o outro fez de errado, e sim como você se sentiu com isso. Fale dos seus sentimentos, do quanto ficou abalado em certo momento”, diz ela, que afirma que mostrar os sentimentos e suas fragilidades de maneira sincera é a melhor forma de mostrar ao parceiro(a) que a atitude dele(a) não te agradou.
Fonte: Bolsa Mulher






